01-12-2018

Efeitos da profundidade dos sulcos no rendimento final na cultura do milho

Com a cada vez mais competitiva agricultura moderna, torna-se imperativo para os agricultores a obtenção de maior rendimento das culturas, sendo pela via da melhor gestão dos recursos ou pela via da evolução das técnicas culturais.

Sulcos no campo

Nesse âmbito, o departamento Agronómico Pioneer, em permanente presença junto dos agricultores, tem vindo a identificar alguns dos aspetos menos positivos e possíveis de serem melhorados. Um dos pontos que a Pioneer vem reclamando desde há muito junto dos agricultores que regam por sulco, é a profundidade e a metodologia da realização desta técnica cultural. Assim, em parceria com a Escola Superior Agraria de Coimbra, a Pioneer estabeleceu um protocolo de colaboração, do qual resultou a elaboração de um estudo específico que teve como objectivo demonstrar alguns dos pontos a melhorar nas condições deste tipo de rega, seja no Vale do Mondego ou em qualquer outra zona de produção de milho.

A abertura dos sulcos demasiado profundos e de forma deficiente, pode diminuir com maior ou menor expressão os objetivos da cultura, ou seja a produção final. Podemos enumerar, sem ordem cronológica, alguns dos aspectos negativos tais como a perda antecipada da eficácia dos herbicidas, a destruição de parte das raízes do milho com o consequente aumento das doenças do sistema radicular, maior risco na acama pela raiz, entre outros. As consequências são normalmente mais graves quanto mais tardiamente se efectuar a abertura dos sulcos, pois coincidirá com o milho em estádios de desenvolvimento mais adiantados.

Os ensaios, realizados em 2016, na Quinta dos Torreões, Vale do Mondego (região onde predomina o sistema de rega por sulcos, teve como principal objectivo demonstrar a melhor metodologia na abertura dos sulcos a fim de tirar o maior partido desta necessidade. Foram ensaiadas 5 modalidades, nomeadamente, sem mobilização, sacha, sulco superficial (10 cm profundidade), sulco médio (15 cm profundidade) e sulco profundo (20 cm profundidade).

Em jeito de conclusão, o ensaio com um delineamento experimental rigoroso, permitiu comprovar que os sulcos superficiais relativamente às restantes modalidades podem acrescentar o seguinte:

  1. Melhoria “significativa da produção final” com um acréscimo que, neste caso, rondou os 7%. Este resultado é um bom indicador do efeito negativo que a maior profundidade da sacha e dos sulcos provoca, por destruição de grande parte do volume das raízes:

    -Tanto maior quanto maior o estádio de desenvolvimento das plantas.

    -Tanto mais negativo, quanto maior for o stress em que as plantas se encontrem.

  2. Melhor controlo das infestantes, por melhor eficácia dos herbicidas aplicados. Redução em mais de 50% da superfície coberta por infestantes.

  3. Maior resistência dos caules à acama, por enraizamento mais consistente, por maior diâmetro médio dos caules e menor sensibilidade a doenças das folhas e do caule:

    -A resistência à acama é superior, sendo em média 0,82kgf/planta, correspondendo em média a mais 43,4% da resistência mecânica.

    -Relativamente ao diâmetro médio dos caules, este é superior em 2,14 mm, correspondendo a um ganho de 10%.

A experimentação desenvolvida permitiu igualmente verificar que as condições de drenagem e de rega em função da profundidade dos sulcos deverão ter sempre em conta as características de drenagem interna do solo e os métodos de gestão da água adotados. Deste modo, procurou dar-se um contributo com relativa utilidade, para os agricultores que utilizam sistemas de rega por sulco ou que por necessidade efectuam sachas muito tardiamente. Para mais esclarecimentos, não hesite em contactar o assessor agronómico da sua zona.

(Trabalho desenvolvido durante o ano de 2016, no âmbito do estágio curricular de Diogo André Ferreira Vilão, aluno da Escola Superior Agrária de Coimbra, atualmente Técnico do Serviço Agronómico da Pioneer a trabalhar na Região dos Açores.)